sábado, 18 de junho de 2016

IHGP presta homenagem a Rochinha

O centenário de Joaquim Nunes Rocha

* Prof. Izaias Resplandes de Sousa



Cem anos se passaram. Quanta vida! Quanta memória! Quanta história!

Eis que hoje, com a responsabilidade do Instituto Histórico e Geográfico de Poxoréu, venho saudar, in memoriam, o Dr. Joaquim Nunes Rocha, de quem muitos puderam contar como amigo e companheiro na política, nas artes e na cultura de modo geral; muitos outros como benfeitor e patrono de suas causas judiciais; e outros ainda como patriarca de uma plêiade de nomes que honram sua memória e sua história.

Rochinha veio de Goiás, da terra das preciosas esmeraldas do Anhangüera, para ser em Mato Grosso um dos construtores da cidade de Poxoréo, nossa eterna Capital dos Diamantes. Herdou a tenacidade e a firmeza das pedras preciosas, conservando a lucidez e sendo sempre um homem brilhante e ativo em todos os seus 85 anos de vida, advogando as causas dos mais pobres e menos favorecidos da fortuna, mediando, assim, os litígios sociais de sua gente.

Nasceu em 07 de junho de 1916, em Tocantinópolis, Goiás, hoje, Estado de Tocantins, filho do Sr. Francisco Ferreira Nunes e de Dona Maria André da Rocha, mas foi criado nas terras de São Pedro, onde nasceu Poxoréu, pelo Sr. Barnabé Francisco dos Anjos, seu padrasto, homem de notórios valores éticos e morais, para onde veio quando tinha apenas nove anos de idade. São Pedro, nessa época era o epicentro da ocupação social e o mais novo eldorado da fortuna e dos bamburríos da região. Ali sua mãe consolidaria a relação com o padrasto, com quem ainda teria mais três filhos: João Francisco dos Anjos, Zeli Rocha dos Anjos e Wilson Francisco dos Anjos.

Viveu em São Pedro até 1927, quando ocorreu um grande incêndio naquele povoado. E então sua família mudou-se para a corrutela de Morro da Mesa, a futura cidade de Poxoréu, onde adquiriram terras. E foi em Poxoréu que Rochinha cresceu, se habilitou e se notabilizou como guarda livro, farmacêutico, advogado e político.

É de destacar que “Rochinha foi um forte até a morte!” Inquiridor irrequieto, persistente, metódico, disciplinado e muito inteligente, ele sempre soube como conduzir. E por isso foi, com certeza, um líder durante toda a sua vida. Como político amou a terra mato-grossense, dando-se por ela em diversos mandatos como suplente de senador, deputado federal e estadual, vereador e prefeito de Poxoréu. Inegavelmente, ele foi o maior e mais importante líder político que esta terra poxorense já produziu e que por ela se dedicou com tamanha intensidade. Aqui ele não veio passear, não veio visitar. Ele veio para ficar e aqui estará para sempre, nos corações de seus amigos, de seus seguidores políticos, de seus descendentes e até mesmo de seus adversários, que irão se lembrar dele e de sua lealdade nas disputas pelo poder.

Segundo o prof. Gaudêncio Amorim, “não se tem conhecimento que Nunes Rocha tenha tratado um adversário político como inimigo pessoal, mas principalmente como um potencial aliado futuro e, neste caso, o valor que dispensava e o respeito que a ele hipotecava até podiam revelar uma estratégia política, mas era mais do que isso. Rochinha venerava o gênero humano, defendia e respeitava as liberdades individuais de tal forma que, se desejasse tê-los consigo numa ideia ou num projeto, cabia a ele conquistar pelo instrumento da persuasão”.

O advogado e analista político Dr. Pedro Lima, em artigo publicado no Diário de Cuiabá, poucos dias após a morte de Nunes Rocha, assim escreveu: “Com a morte de Joaquim Nunes Rocha, Mato Grosso perdeu uma reserva moral, a classe política perdeu uma referência, e a região dos garimpos, o sul do estado - antigo leste mato-grossense -, um dos homens que soube representar com dignidade aquele povo pioneiro que com seu trabalho artesanal, inicialmente nas lides dos garimpos de diamantes e, posteriormente, na pecuária e agricultura se constituiu na sentinela avançada do desenvolvimento de Mato Grosso”. E continuou: “Rochinha, como seus amigos e adversários o tratavam, fez parte daquela velha guarda de políticos sérios, dedicados ao partido e fiéis aos amigos. Disputou várias eleições; tinha uma irresistível atração pelas urnas. Perdeu e ganhou. Soube se conduzir com dignidade nas vitórias e com altivez nas derrotas. Nunca foi seduzido a abandonar a sua querida UDN pelas promessas, propostas ou benesses fáceis do poder. Lutava por esse poder no seu partido e ao lado de seus correligionários. Não conheceu a estrada dos pusilânimes que a um aceno jogam suas biografias no lixo da história em busca de interesses pessoais e mesquinhos, como infelizmente se tornou prática nos tempos atuais”. 

Já o Pr. Abel Azambuja, da Igreja Assembleia de Deus, na qual congregava por ocasião de sua morte, disse que Rochinha escrevera um documento onde declarara que "depois de percorrer várias igrejas e de examinar várias doutrinas, finalmente havia encontrado o caminho na pessoa de Jesus". Assim, enquanto no meio evangélico ele encontrou o caminho para os céus, na terra, ele foi o patriarca de uma família que tem feito as coisas acontecerem neste país. Junto com seus sete filhos: Lindberg (ex-prefeito de Poxoréu), Louremberg (ex-deputado-federal e ex-senador da República), Lindemberg (médico), Mary Lindsey (sua única filha), Joaquim Nunes Rocha Filho (agropecuarista), Sílvio Romero (advogado) e Benedito César (sociólogo e historiador), ele escreveu muitas e muitas páginas na história do Brasil, razão porque sempre estará vivo na nossa memória.
                       
 Rochinha sonhou, pensou e projetou. Pensar o futuro é uma questão de responsabilidade. Principalmente quando esse é o futuro da nossa cidade. Segundo seu filho Lindberg Ribeiro Nunes Rocha, seu pai sempre proclamava nos discursos que fazia, os seus sonhos de ter uma Poxoréo com avenidas largas e floridas, com espaço para que a juventude pudesse viver e ser feliz. Ele foi um crente extremado que sempre acreditou na possibilidade de seu povo ser feliz. Com certeza foi no seu exemplo que Lindberg aprendeu que "para se administrar uma cidade, antes de tudo é preciso amá-la", o que também lhe garantiu vários mandatos como administrador de Poxoréu.

 Isso era mesmo verdade! Ainda está bem vivo em minha mente as palavras de seo Rocha sobre os seus sonhos de felicidade para a cidade de Poxoréo, quando disputou a Prefeitura de Poxoréo em 1992. Ele disse e eu gravei para a história: “Com muita satisfação eu me dirijo ao povo de Poxoréo, para que nos ajudem nessa peleja, porque essa peleja é uma peleja legítima a defender os interesses daqueles que vivem nessa região. Nós estamos disputando o cargo de Prefeito Municipal, não por vaidade. Absolutamente! Não por aventureirismo. Nós estamos disputando, porque verificamos que dispomos das condições necessárias para trazer a esta coletividade o dinheiro que seja necessário à construção de obras, à abertura de outras atividades, à instalação de novas empresas que tragam os benefícios ao povo, que tragam a felicidade desta região. Dessa forma, nós nos encontramos na condição de carrear para a nossa gente, toda sorte de benefícios para assegurar a felicidade do nosso povo e o engrandecimento da nossa cidade”. Ao finalizar seu discurso, ele disse: “Eu estou oferecendo um prêmio, eu estou oferecendo um serviço, estou oferecendo os meus conhecimentos nas últimas décadas da vida. Quero trazer isso como prêmio para o meu povo, para minha gente, trabalhando, conseguindo recursos, encaminhando estudantes, conseguindo o aprimoramento do ofício daqueles que laboram aqui dentro de nossas fronteiras”. Ele se doou por inteiro ao povo de Poxoréo.

Rochinha foi um grande intelectual. Membro da UPE - União Poxorense de Escritores, ele escreveu vários artigos que foram publicados em diversos jornais. Ao lado de João José Freire, Joaquim Dias Coutinho, foi um dos fundadores do Jornal Correio de Poxoréo, no qual registrou muito do seu pensamento. Mas a sua sede pela cultura e pelo conhecimento nunca foi saciada.  Pouco antes de sua morte, ele esteve em minha casa para conversar comigo. Ele sempre me procurara para tratar sobre assuntos profissionais e eu pensava que nossa conversa daquele dia versaria sobre a pauta costumeira. Mas não foi assim. Ele puxou da memória a história e conversamos durante mais de hora sobre diversos assuntos da cultura geral. E dias depois, em nossa última conversa por telefone, ele me solicitou que pesquisasse e o informasse sobre quem fora o filho que Júlio César teve com Cleópatra, quando andou lá pelas bandas do Egito. Infelizmente não pude passar-lhe a informação, pois logo ele adoeceu e foi em busca de tratamento especializado na Capital. Daniel, seu neto, disse que guardaria do avô, o seu o último sorriso. De minha parte, sempre guardarei dele, como última lembrança, esse seu interesse apaixonante pelo conhecimento, pelo qual me inspiro a continuar buscando as respostas para os novos problemas que a atual era do conhecimento irá desafiar-nos.

Joaquim Nunes Rocha faleceu em 20 de outubro de 2001.

No dia seguinte eu registrei: Até breve, Rochinha! Não te daremos um adeus, mas um até breve, na certeza de que logo nos encontraremos na eternidade dos céus, onde os dias não são contados. Que sua dedicação e seu amor por esta terra doce e amada chamada Poxoréo, continue sendo uma inspiração para aqueles que continuarem a sua trajetória no governo deste Município e deste Estado. Seja também nosso o "obrigado" que Pe. Pietro Melesi, da Missão Salesiana de Mato Grosso lhe fez postumamente. Obrigado, de coração, pelo seu exemplo concreto de liderança.

Ter sido um dos amigos de Rochinha será sempre uma honraria para todos que tiveram tal privilégio. Nós nos sentimos honrados nesse sentido. E queremos dizer como nossas últimas palavras nas comemorações desse centenário de seu nascimento, que haveremos de envidar todos os esforços para continuar a sua luta pela felicidade de Poxoréu.

Que Deus nos ilumine a todos!


* Izaias Resplandes de Sousa é advogado, professor e escritor mato-grossense. É membro da União Poxorense de Escritores e do Instituto Histórico e Geográfico de Poxoréu, MT.

sábado, 30 de abril de 2016

Projeto Chão Violado


Buscando valorizar a História, Diversidade Artística e Cultural de nossa cidade, ocorrerá em Poxoréu entre os dias 10 e 14 de maio - PROJETO CHÃO VIOLADO: ENTRE ACORDES E IMAGENS – PRESENTE FUTURO E PASSADO.

O cronograma de atividades do supracitado projeto está organizado da seguinte forma:

• Dia 10/05/2016 (Terça feira): Cerimonial de Abertura e Palestra ministrada pela UPE . Tema: Poxoréu e sua Origem. Local: Salão do Externato São José. Horário: 19hs às 21hs;

• Dia 11/05/2016 (Quarta feira): Exibição do documentário “Buracos – A Herança do Garimpo. Mediador: Gianpiero Barozzi. Local: Pinacoteca de Poxoréu. Horário: 19hs às 21hs;

• Dia 12/05/2016(Quinta feira): Palestra ministrada pelo Coord.do Ponto de Cultura de Poxoréu , Gianpiero Barozzi. Tema: Poxoréu e Diversidade Cultural: Fomento e Oportunidades. Local: Diamante Clube. Horário: 19hs às 21hs;

• Dia 14/05/2016 (Sábado): Noite Cultural – “Diamantes Humanos”: diversas apresentações artísticas e culturais, exibição de fotos e pequenos filmes antigos da cidade, amostra de artesanato, exposição de pintura em tela. Local: Rua Minas Gerais e Mato Grosso (Centro Histórico). Horário: das 18hs às 22hs.

Será emitido certificado de carga horária para os participantes das atividades do projeto para ser usado em contagem de pontos e hora atividade.



APOIO CULTURAL:
ASSOCIAÇÃO PARTILHAR
PONTO DE CULTURA DE POXORÉO "ARTE ITINERANTE POR MAIS CULTURA"
GAZETA FM POXORÉO
UPE (UNIÃO POXORENSE DE ESCRITORES)
EXTERNATO SÃO JOSE - ESCOLA POXORÉO
SEC. MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, CULTURA, ESPORTE E LASER
SEC. MUNICIPAL DE OBRAS
CENTRO JUVENIL SALESIANO
RADIO SULMATOGROSSENSE
REALIZAÇÃO:
GOVERNO DE MATO GROSSO - ESTADO DE TRANSFORMAÇÃO
SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA
ÉDEN COSTA

IHGP faz reunião e traça metas

O IHGP - Instituto Histórico e Geográfico de Poxoréu se reuniu na manhã de hoje, 30/04/2016, na sede do Conviver para discutir os destinos da entidade.

Na ocasião, elegeu-se uma Comissão composta pelos upeninos Gaudêncio Filho Rosa de Amorim, João de Sousa e Luís Carlos Ferreira para que elabore e apresente à Assembleia Geral uma proposta de Estatuto Social para a entidade em sua próxima reunião, a qual acontecerá no dia 07 de maio de 2016, nas dependências da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, na Rua Mato Grosso, 369, Centro.
Também ficou decidido que cada membro do Instituto elabore uma pequena biografia do patrono de sua cadeira.

UPE elege 29ª Diretoria

A UPE - União Poxorense de Escritores elegeu nesta data de 30/04/2016 a sua 29ª. Diretoria, composta pelos seguintes membros: Kautuzun de Araujo Coutinho (Presidente), Márcia Adriana Almeida (Tesoureira), Gaudêncio Filho Rosa de Amorim (2º Vice-Presidente), João de Sousa (1º Vice-Presidente) e Izaias Resplandes de Sousa (Secretário Geral)

Kautuzun de Araujo Coutinho (Presidente), Márcia Adriana Almeida (Tesoureira), Gaudêncio Filho Rosa de Amorim (2º Vice-Presidente), João de Sousa (1º Vice-Presidente), Luís Carlos Ferreira e Izaias Resplandes de Sousa (Secretário Geral)
A nova Diretoria exercerá o seu mandato até 31 de março de 2017.

Por quê? Isso não importa!

Não importa o motivo pelo qual você não consegue aprender. O que importa é que você aprenda aquilo que quiser aprender. 
Não importa por que você não tem vencido. O que importa é que você vença naquilo que desejar vencer. 
Não importa por que você falhou. O que importa é que não falhe naquilo que não quer falhar. 
Não importa por que você perdeu. O que importa é que você ganhe tudo o que desejar ganhar. 
Os motivos só interessam se for para apresentar soluções. Saber por saber não serve para nada.
Saber por que não se conseguiu uma resposta não adiantará nada. O que tem valor é conseguir a solução do problema. E para isso é muito importante querer essa resposta necessária.
Se o que você quer saber é apenas o porquê. Então a minha resposta para você é simplesmente essas palavras: por quê? Isso não importa!
Agora, se você quiser uma solução para o problema, então eu tenho essas palavras para você: vamos em frente. Querer é poder. Nada é impossível ao que crer nas possibilidades.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A Esquerda ferida, mas sem força.

A Esquerda ferida, mas sem força.

                                                                                              Gaudêncio Amorim

                        A forma com que os defensores do governo Dilma Rousself tem atacado as ruas de todo País, a partir da possibilidade do impeachment,  revela o sentimento da esquerda na defesa do status político alcançado nas eleições de 2002, com a vitória de Luis Inácio Lula da Silva, após insistentes e históricas tentativas, principalmente após o regime democrático basilar da Constituição Federal de 1988.
                        É cristalina a estruturação e corporificação da esquerda para defender a manutenção de um poder que, em tempos de república, levou mais de um século para alcançar e que, teve no sindicalista Luis Inácio Lula da Silva,  seu maior símbolo de resistência. O governo da presidenta Dilma, por si só não se mantêm, todavia se resiste pela coalisão da esquerda, que elegeu na expressão “não vai ter golpe” o instrumento ideológico do contra ataque, para reparar os estragos de uma embarcação próximo do naufrágio.
                        O leitor atento perceberá que governo se ressuscitou do seu próprio funeral, quando da revelação do propinato ao ex presidente Lula espelhado pelo tríplex do Guarujá e pelo sítio de Atibaia, supostamente ofertados por empreiteiras, como moeda de troca à benesses do poder, constituindo-se assim num grave escândalo de corrupção, erva daninha, típica de países subdesenvolvidos. Se este enredo não entrasse em cena é provável que o impeachment do atual governo estivesse em patamares bem mais avançados do que o atual estágio que, a depender da relação de compadrio entre os poderes poderá resultar na já conhecida e esperada expressão por muitos: “em pizzas”, exceto se vigorar a seriedade da Justiça (STF) ou se ganhar impulso a voz das ruas capaz - de tratar o sistema, quase totalmente infectado pela imoralidade em escala progressiva, tendo em vista os escândalos perenes de corrupção que se amontoam e que, portanto, tem se configurado no país do espetáculo, cuja cena é sempre aguardada pela sociedade, como um enredo ainda mais negativo e picante, não para arrancar aplausos, mas para corroborar uma classe política em ruína.
                        A situação política do Brasil é vexatória, tanto aos olhos do exterior, quanto à visão endógena dos seus próprios cidadãos. Em tempos de República e de democracias, o País ainda não se tinha abalado por tão forte crise política e simultâneo crescimento da crise econômica na acepção de uma sociedade, ainda como plateia, assistindo e se dividindo entre os que querem a manutenção do poder, os que desejam retomar, em face do oportunismo da crise e ainda daqueles que aspiram por novas forças, visionários de uma limpeza geral no Congresso Nacional e no governo que, segue vivo pelo paliativo da esquerda ferida, cuja força de resistência ainda é impresumível no tempo, a depender dos novos espetáculos e principalmente da competência dos seus protagonistas para maquear os engodos ou para extirpar os ataques à verdadeira democracia, já que ambos atores se justificam em sua defesa.
                        Os poderes, por si, não são motivado a promover a revolução, geralmente se entendem entre si sob o pacto da proteção bilateral, de sorte que a revolução efetiva, em tempos democráticos, estará sempre a cargo da sociedade civil e geralmente acontecem por erros de estratégia dos próprios poderes dominantes ou quando os cidadãos não tiverem mais nada a perder, conforme escrevera Florestan Fernandes em 1981, no seu livro “O que é revolução”, cuja coalisão de força é totalmente indesejada pelos artífices do poder.
                        Neste sentido, a possibilidade de revolução, nesse estágio da crise política, se daria da esquerda organizada com ela mesma e poderia se evoluir, se demonstrar a capacidade de envolvimento da sociedade civil, a qual, não nos parece intuir em tal propósito, haja a vista, o desgaste do atual aparato político e a descrença no sistema, já que as revelações de fraude e corrupção acabaram por desanimar a pequena parte da sociedade que ainda teimava na esperança do contraditório.
                        Assim, nem os brios feridos da esquerda, a permanecer o abismos de escândalos do governo, serão suficientes para atalhar o naufrágio em processo. A frágil coalisão de força da esquerda, pode inclusive, encurtar os caminhos para o ato final dessa embarcação em ruina, já que, a esquerda não nos parece ter força estruturante suficiente para um golpe, à força, capaz de estabelecer uma ditadura de esquerda.
                        Com efeito, tudo dito acima, deveras se confirmou na votação da câmara dos deputados na sessão do dia 17 de abril de 2016 e, mais uma vez, não porque a Casa estivesse apreciando o suposto crime da presidenta, mas visionários dos seus próprios projetos individuais de futuro, sintonizados na vontade popular de suas bases eleitorais, já que a grande maioria assim se justificavam, inclusive na menção de suas famílias e pela juventude, tantas vezes citadas. Todavia, o julgamento dessa data não nos pareceu se dá  no epicentro de suas razões (as pedaladas fiscais), mas pelo conjunto da obra, já que tanto governos (em maior ou menor grau) também assim o fizeram e passaram imune à guilhotina do congresso. A votação de 367 votos a favor do impeachment contra os 137 votos a favor, com apenas 02 ausências e 07 abstenções, ao final, representa o nível de insatisfação popular com o governo, apesar de vencedores do certame, nesta 1ª etapa, continuar sendo personas não gratas, já que até agora a sociedade ainda não é vencedora de nada, exceto de conseguir vencer as coalisões de forças dos interessados no status quo vigente, a começar pelo vice presidente Michel Themer, pela presidência da Câmara, Deputado, Eduardo Cunha e pela presidência do Senado Federal, Senador Renan Calheiros, além das centenas de parlamentares contaminados pela podridão do sistema, (é claro que respeitado o contraditório e a ampla defesa, consubstanciados no estado democrático de direito) cuja permanência nele, dificultaria o Brasil construir um novo caminho marcado pela ética na política, pela credibilidade social e pelo progresso econômico. Mas uma coisa de cada vez, até agora os papéis foram cumpridos seguindo o protocolo das expectativas nas instituições e tomara que elas sejam fortes o suficiente para defender os reais interesses da sociedade sem intervenção dos cidadãos numa revolução civil.


Gaudêncio Amorim: Poeta, Escritor e Cientista Político filiado a União Poxorense de Escritores – UPE. 

domingo, 17 de abril de 2016

Momento de Arte e Cultura

A UPE apresenta o programa Momento de Arte e Cultura desde 07 de maio de 1988. Inicialmente, pela Rádio Cultura de Poxoréo e posteriormente, pela Rádio Sulmatogrossense.
O primeiro programa foi apresentado pelo Notável Upenino Gaudêncio Filho Rosa de Amorim.
O tema musical do programa foi "Mourir Ou Vivre", de Hervé Vilard, apresentado por Paul Mauriat et son orchestre. Eis a letra da música:
 
"Mourir Ou Vivre"

Hervé Vilard,

De nouveau, on me quitte encore,
Je ne suis jamais le plus fort,
Je suis celui qui par malheur,
Passe sa vie de coeur en coeur,
C'est à croire que je suis puni,
C'est à croire que l'amour m'oublie,
C'est à croire, c'est à croire,
C'est à croire,
Je ne sais plus.
Faut-il mourir ou vivre,
Quand on a du chagrin,
Faut-il mourir ou vivre,
Je ne sais plus très bien,

Répond moi je veux vivre,
D'avoir auprès de moi,
Faut-il mourir ou vivre,
Pour que l'amour ne nous quitte pas.
Car la peine est là chaque instant,
Et mon rire ne vit qu'un moment,
Avec moi, je lutte parfois,
Hélas, je perds chaque fois,
C'est à croire que l'amour m'oublie,
C'est à croire que je suis puni,
C'est à croire, c'est à croire, c'est à croire,
Je ne sais plus.
Faut-il mourir ou vivre,
Quand on a du chagrin,
Faut-il mourir ou vivre,
Je ne sais plus très bien,
Reviens, moi je veux vivre,
D'avoir auprès de moi,
Faut-il mourir ou vivre,
C'est toi qui me le diras,
Reviens, moi je veux vivre,
D'avoir auprès de moi,
Faut-il mourir ou vivre,
C'est toi qui me le diras,
Reviens, moi je veux vivre...

É uma linda música. Faz muito bem aos ouvidos.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Câmara de Vereadores de Poxoréu, MT (Década de 1970)



Adauto Barbosa Anotem aí, da esquerda para à direita: Vereadores: Renato Cavalcante da Silva; Antônio Portugues de Souza; Aristides Vieira; Tarquínio Soares e Silva; João Sinval de Figueiredo(Presidente); Laurindo Tremura; João Soares da Silva; Sebastião Coelho e Santos (Coité) - Câmara Municipal de Poxoréu - década de 1970.

segunda-feira, 21 de março de 2016

A Lei da Poesia

A Lei da Poesia

Hoje é um dia...
Todo dia é dia.
Dia de dia e dia de poesia.
E eu gosto tanto do dia,
Quanto da poesia...
Mas exatamente neste dia,
Acho que não estou em um bom dia.
Não sei se estou triste
Nem se estou alegre.
Não sei se vou sorrir
Se vou chorar.
Só sei dizer que sinto muito em tudo o que vejo...

Há no ar, para condenar,
Uma louca ânsia...
Não vejo tolerância, nem vontade para amar e perdoar.
Todos erramos algumas vezes...
Não faria muita diferença se às vezes fossem vezes vezes vezes...
Basta um vírus para contagiar e matar milhares...
Mas também basta apenas uma morte para perdoar e salvar milhares de milhares.
Matar ou salvar?
Que atire a primeira pedra aquele que não matou, que perdoou...
Que mate, aquele que salvou,
Se acaso sua ânsia de morte,
Que sempre foi azara sem sorte,
Resolveu, de repente voltar.
Que mate, o que salvou da morte,
Quem de perdoar teve a sorte.
Essa é a lei do dia,
Que vai mostrar o rumo norte...
Artigo primeiro e artigo derradeiro:
Amar sempre, jamais condenar...
Parágrafo Único: Perdoar sempre e para sempre amar e amar.
Chega de mal!
Salve o dia!
Viva a poesia!
E ponto final.
Registre-se. Publique-se.
Cumpra-se a lei do dia!
Viva, viva, viva a poesia!
Vai, tristeza! Vem alegria!
Vai-se noite e venha-me o dia.
Viva o verso, o inverso e o reverso,
Que dia a dia proclama poesia!

IZAIAS RESPLANDES

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Bodas de madrepérola

Bodas de Madrepérola


Era sábado, noite. De dia chovera, mas a noite fora reservada para nós. Corria o ano de 19 de janeiro de 1985. Naquela época Lourdes estava com 23, quase 24 anos e eu estava com 27. Não iniciávamos uma aventura. Não éramos mais adolescentes. Sabíamos o que queríamos: viver juntos, apoiar-nos mutuamente, construir uma família, ter filhos... Tínhamos certeza de que poderíamos isso e muito mais.  Nosso amor seria o alicerce e as colunas da construção que, então, iniciávamos.
Tudo foi simples, mas verdadeiro. Nossos familiares mais próximos estavam presentes. Alguns amigos e familiares vieram de Mato Grosso para a cerimônia para serem testemunhas de nossa decisão. Nossos pais e demais familiares se alegraram conosco naquela ocasião. Foi uma noite muito feliz. Tivemos muitos percalços para que o nosso casamento se concretizasse. Mas, finalmente, tudo o que imaginávamos começava. Eu viveria para Lourdes e ela viveria para mim.
Os anos passaram. Tivemos dificuldades. Mas com a nossa persistência e disposição, tudo foi superado. Tivemos três filhos maravilhosos: Fernando, Mariza e Ricardo. Fernando se casou com Mariana e já nos deu Davi, nosso primeiro netinho. E agora eles já nos anunciaram que seremos avós de novo. Essa tem sido a nossa vida.
Já se vão trinta e um anos de vida conjugal. É certo que nem tudo foram flores. Tivemos nossos conflitos, nossas tristezas e alguns desentendimentos. Não seríamos normais se assim não fosse. Mas podemos dizer que essas noites não foram nada, diante da grandeza de nossas concordâncias, nossas alegrias e nossos entendimentos. As qualidades de nossa união superaram e abafaram os pequenos defeitos de percurso. De forma que nem temos muitas lembranças de momentos ruins que tenhamos vivido. Mas temos muitas memórias de nossos momentos felizes.
À Lourdes, nessa noite de 19 de janeiro de 2016, 31 anos depois daquela prima noche, quero dizer que valeu a pena cada segundo que vivi ao seu lado. Eu teria grande prazer de começar tudo de novo outra vez. Mil vezes trocaria alianças e me casaria contigo, se tantas vidas e tantas oportunidades eu tivesse.
Eu te amo, minha escolhida entre todas as mulheres. Viver com você me faz um dos homens mais felizes dessa vida. Aproveito a ocasião dessa celebração para também pedir a você o perdão pelas vezes que te magoei. Assumo o compromisso de fazer o melhor que puder para que nossa união perdure no tempo permitido por Deus, cuidando e zelando de você.
Que Deus nos reabençoe nessa ocasião. Parabéns pelo nosso dia. Trinta e um beijos com muito amor para você.



sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Missões de Amor

Missões de Amor
  

Prof. Izaias Resplandes

Cada um de nós veio ao mundo para cumprir uma missão. Uma missão de amor. Deus deseja que todos nós sejamos capazes de amar. Amar primeiramente a Deus e depois amar também às demais pessoas, da mesma forma com que amaríamos a nós mesmos.
A respeito desse mandamento de amor, Jesus disse:
Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Mateus 22:37-39.
Ainda que não haja um mandamento de amor por nós mesmos, entendemos que devemos ter amor próprio e devemos também cuidar de nós, principalmente porque nosso corpo é o templo do Espírito Santo. Mas esse não é o amor que deve ter a primazia em nossas vidas. Se fôssemos estabelecer uma ordem sobre a prática do amor, eu diria que primeiro devemos amar a Deus, depois amar aos demais e por último a nós mesmos.
Paulo escreveu em 1 Coríntios 13:5, que o amor não busca os seus próprios interesses.
O verdadeiro amor consiste em buscar fazer a vontade de Deus, em primeiro lugar. E em segundo lugar, atender às necessidades das demais pessoas com as quais convivemos, e que são os nossos alvos missionários.
Deus deseja que nós trabalhemos com amor e ardor em favor dos nossos semelhantes.
Somente demonstraremos que amamos de fato a Deus se formos capazes de amar os nossos semelhantes com a mesma intensidade de amor, com que amaríamos a nós mesmos.
Jesus disse:
Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros. João 13:34-35.
E Deus nos ajuda a cumprir nossa missão, colocando pessoas com necessidades especiais à nossa volta. E nos capacita para servi-las. Ele nos dá saúde, força e vigor, bem como bens materiais, para que nós possamos ter êxito no cumprimento de nossa missão de amor.
Deus não coloca sobre nossas costas um fardo pesado demais, ao qual nós não conseguimos carregar. O nosso fardo é proporcional à nossa capacidade.
Assim diz a Palavra:
Porque é assim como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens: a um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade; e seguiu viagem. Mateus 25:14-15.
Deus não pede que amemos acima da nossa capacidade de amar. Primeiro ele deseja que nós cuidemos de nós mesmos. Depois que cuidemos de nossa família. E depois que cuidemos das demais pessoas e de toda a criação.
É por isso que Deus nos dá muito mais do que nós precisamos. Para que nós possamos cumprir com as missões que ele determinou que nós cumpríssemos.
Por outro lado, existe alguém que fará todo o possível para nos desviar de nossos objetivos. Essa pessoa é Satanás. Ele é o inimigo de nossas almas. Ele é o nosso adversário. É aquele que vive semeando o joio no meio do trigo. Foi assim que disse Jesus em sua parábola do semeador: o inimigo que o semeou é o Diabo. Mateus 13:39.
Satanás não quer que sejamos bem sucedidos. Ele quer que nós fracassemos no cumprimento de nossas missões. Ele se esforça para que nós sejamos egoístas e para que pensemos apenas em nós mesmos. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. 1 Coríntios 15:57.
Quando nós vemos alguém doente em uma família, muitas vezes pensamos que essa família deva ter cometido alguma coisa ruim para que a enfermidade viesse sobre ela. Mas nem sempre é assim. Nem toda enfermidade é por conta de pecado, ainda que possa ser. Vejamos um pouco da história da cura daquele cego de nascença registrada em João 9:1-4. O texto diz assim:
E passando Jesus, viu um homem cego de nascença. Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?  Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus. Importa que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar.
Uma pessoa enferma é uma oportunidade para que possamos fazer nela as obras de Deus.
Quando cuidamos e nos preocupamos com aquele que está enfermo, nós estamos fazendo a obra de Deus.

A ENFERMIDADE DE RICARDO

No início de 2010, meu filho Ricardo foi diagnosticado como tendo um angioma cavernoso se desenvolvendo no topo de seu tronco encefálico, na região do mesencéfalo. Bem no centro da cabeça. Não é uma doença. O angioma é um órgão extra, congênito (de nascença). Conforme o lugar em que ele se desenvolve, não há risco para a pessoa. Por exemplo: já viram algumas pessoas com um sexto dedo nas mãos? É parecido com essa situação.
No caso de Ricardo, o angioma surgiu em um lugar onde não há espaço físico para ele crescer, naturalmente. Mas, como todo órgão do corpo, ele também foi crescendo, mesmo com as dificuldades topográficas de sua localização. Ele foi se espremendo dentro da cabeça de Ricardo. Segundo o neurocirurgião que cuida dele, ali é como se fosse a alma dele, porque aquela é a região onde estão os nervos que ligam o corpo ao cérebro. E qualquer lesão ali pode provocar sequelas na pessoa.
E então, depois de muitas lutas, Ricardo foi operado em 31/03/2010. Na ocasião, a equipe médica fez o seu melhor. Não pode retirar todo o angioma, para evitar sequelas, mas Ricardo ficou bem. E durante esses quase seis anos, de lá para cá, ele teve uma vida normal, estudando, trabalhando, amando, participando das atividades da igreja e da vida, como qualquer pessoa normal.
Ricardo é um rapaz muito especial. É generoso. Para ele, tudo está bem. Quase não reclama de nada. Nem mesmo das dores que sente. É um moço que só contribui para que nós possamos ser uma família feliz.
Mas então ele chegou para nós (Lourdes e eu), pedindo para fazer novos exames e nova ressonância magnética para ver como ele estava, porque ele vinha sentindo fortes dores de cabeça e os analgésicos não estavam surtindo efeitos. Destaque-se: Ricardo é farmacêutico. Acreditamos que estava tomando os remédios que entendia serem adequados para tirar as dores que sentia. 
Cumprindo esse propósito, chegamos em Goiânia. Procuramos o mesmo médico que fez a cirurgia em 2010. Ele é considerado um dos melhores profissionais da neurocirurgia do Brasil. Uma nova ressonância foi realizada, revelando as nossas preocupações: o angioma voltara a crescer. Ricardo precisaria ser operado novamente.
Ficamos sem palavras! Naquele momento, percebendo a nossa impotência diante do problema, o médico nos disse que não haveria pressa; que não precisávamos fazer a cirurgia imediatamente; que poderíamos esperar mais algum tempo, lá para janeiro ou fevereiro. Mas também nos disse que a cirurgia precisava ser feita, para evitar que o cavernoma, continuando a crescer, viesse ser perfurado como fora em 2010 e provocasse novas lesões na região, que poderiam alterar as funções normais do corpo.

E então nós entendemos que não podíamos esperar. Não queríamos correr os riscos do agravamento da situação, sem a perspectiva de regressão. Decidimos fazer a cirurgia. Pedimos um orçamento para ver se conseguíamos pagar.
A previsão inicial é que cirurgias desse tipo ficariam em torno de 40 mil. Mas após o médico explicar para a servidora todos os detalhes da operação, ela refez os cálculos e disse que ficaria em torno de 60 mil reais. Não dispúnhamos desse dinheiro. Mas não tivemos dúvidas de que iríamos conseguir levantá-lo.
Cremos em Deus. Somos cristãos. Servimos àquele que é dono do ouro e da prata. Fazemos parte da família de Deus. Somos seus filhos e cremos que seríamos socorridos em nossa necessidade. E fomos!
Ricardo foi operado no dia 5 de janeiro de 2016. Entrou no centro cirúrgico às 8 horas da manhã e saiu às 15 horas. Foi uma cirurgia longa. Naquele dia o médico disse que não faria mais nada, dedicando-se integralmente à realização e acompanhamento do procedimento. Por várias vezes, falou-me sobre a delicadeza da operação. Sabendo que éramos pessoas que vivem pela fé, pediu-me que orássemos por Ricardo, mas que também orássemos por ele.
O pedido do médico nos pareceu muito especial. Muitos médicos pensam que são deuses e que podem fazer milagres nas vidas de seus pacientes. Não compreendem que são apenas instrumentos nas mãos do Médico dos médicos. Graças a Deus, o médico do Ricardo sabia qual era o seu lugar nessa operação. Pedimos que fossem replicadas orações a Deus também em seu favor.
E muita gente orou. E Deus ouviu. E a certeza que temos dessa resposta é consequência de tudo o que ocorreu até aqui.
Como da primeira vez, antes da cirurgia o médico pediu que eu fosse sozinho conversar com ele, para que falasse francamente sobre os riscos da operação. Embora ele acreditasse que tudo correria bem, não podia deixar de dizer que o estado de saúde do Ricardo se agravaria depois da cirurgia. As deficiências que ele já possuía poderiam ficar mais acentuadas. Ele corria o risco de ficar com deformações faciais, como pálpebras caídas, boca torta, por exemplo. Mas que, com o passar do tempo, isso voltaria ao normal.
Depois da conversa com o médico eu chorei, interiormente, porque eu fiquei imaginando que nunca mais veria o meu filho com a mesma aparência bonita que ele sempre teve, ainda que para mim, seu pai, ele nunca ficaria feio. Não chorava por mim, mas por ele, porque sei o quanto a aparência física importa para os mais jovens. E o médico me recomendou que não falasse com ele sobre esse agravamento das sequelas, para que ele continuasse acreditando que não haveria problemas e se mantivesse com a mesma prontidão e disposição para o procedimento.
Quantas vezes o médico me disse que Ricardo poderia ter ficado em coma, mudo, sem condições de engolir direito, de mastigar... Mas, como tirar as esperanças do meu rapaz!
Conversei delicadamente com Ricardo. Ele me disse que estava com medo. Também lhe disse que estava com medo. Mas nos confortamos mutuamente, dizendo-nos que Deus estava no controle e que, segundo sua vontade, tudo daria certo.
E essa foi a nossa decisão. Fosse o que fosse, que  a vontade de Deus fosse feita! Se fosse para ficar bom, aleluia! Se não fosse, glória a Deus!
Os recursos para pagar a cirurgia foram providenciados. Duas pessoas da família nos emprestaram a metade do valor para que pagássemos posteriormente. Os outros 30 mil vieram de nossas provisões pessoais e de doações, as quais chegaram a aproximadamente 20 mil reais.
Quem doou? Nós sabemos, mas reservaremos essas informações a nós e a Deus. A informação que prestamos é para que todos saibam que Deus não coloca um fardo em nossas costas, sem nos dar os meios para carregá-lo.
Em nenhum momento de nossa jornada, me preocupei com a questão financeira mais do que deveria. Eu entendi que isso estaria sendo resolvido pelo Pai, como de fato foi. E ainda está sendo, posto que quase todos os dias alguém faz um depósito de amor em nossa conta. Várias pessoas me mandam mensagens privadas pedindo o número da conta porque sentiu em seu coração que deveria contribuir conosco no pagamento das despesas. E é evidente que jamais recusaríamos as providências divinas.
Compreendemos que se Deus fala conosco, devemos ouvir a sua voz, seja para ajudar a quem for. Seja parente ou estranho, de nossa igreja local ou de qualquer outra. Quem ajuda, ajuda! Não pergunta a Deus e nem a ninguém porque, simplesmente ajuda! É isso que Deus espera de nós.
Uma pessoa me disse que não era Ricardo a pessoa mais beneficiada com toda essa situação. Éramos nós, aqueles que o amamos. Éramos nós que tínhamos o privilégio de sermos abençoados com a oportunidade de participar. E eu concordo com isso.
Toda vez que somos desafiados a participar de qualquer campanha, nós nos sentimos abençoados. Há uma alegria especial para a pessoa que compartilha um pouco do que tem com o seu próximo.
Na primeira cirurgia, uma senhora que cuidava da limpeza da escola onde eu trabalhava saiu um dia correndo atrás de mim e me chamando. Eu parei e ela, chegando, me disse: “professor, eu também quero participar. Eu não posso dar muito, mas o que dou é de coração”. E então ela me deu 20 reais. Eu chorei de emoção. Mal consegui lhe dizer “muito obrigado!”. Eu sabia que aquela pequena quantia significava muito para ela, faria falta para o seu sustento, mas eu jamais poderia tirar a sua alegria de poder participar da nossa alegria pela libertação de nosso filho daquela enfermidade cruel.
Essa é foi apenas uma das tantas lições que temos aprendido com essas jornadas de amor por Ricardo. Sabemos que aquele que ama, não consegue fica indiferente à dor do outro.
E as orações? A nossa irmandade em Campo Grande, MS, na Igreja Neotestamentária da Vila Planalto, lançou o desafio do “Relógio de Oração” por Ricardo.
Que coisa linda! Ele é como a sabedoria, cujo valor é descrito no livro de Jó com essas palavras: Não se dará por ela ouro fino, nem se pesará prata em troca dela. Nem se pode comprar por ouro fino de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira. Com ela não se pode comparar o ouro nem o cristal; nem se trocará por joia de ouro fino. Não se fará menção de coral, nem de pérolas; porque o valor da sabedoria é melhor que o dos rubis. Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem se pode avaliar por ouro puro. Jó 28:15-19.
Cada oração feita a Deus em prol de outra pessoa é um gesto de amor. E é isso que Deus deseja. Não é a nossa cura o que Deus deseja. Não é a nossa riqueza material. Não é a nossa vitória sobre qualquer situação e adversidade. O que Deus deseja,meus queridos, é que nós valorizemos e nos preocupemos com o outro, seja ele rico ou pobre. Deus espera que nós amemos de fato, de verdade e não apenas de língua.
É assim que nos ensina a Palavra de Deus:
Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos. Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade. 1 João 3:16-18.
Antes de continuar, preciso dizer que não estou cobrando a ajuda de ninguém. Estou agradecendo a cada um que se prontificou a ajudar e dizendo que, de acordo com o que tenho aprendido da Palavra de Deus, as demonstrações de amor por nós foram legítimas demonstrações de amor a Deus.
Ricardo operou dia 05/01/2016. Recebeu alta no dia 08/01/2016. Sentiu-se mal e voltou a internar-se no domingo, dia 10/01/2016. Fez uma tomografia, constatando um leve sangramento, que talvez fosse o motivo das dores intensas que estava sentindo naquele momento. Ficou mais dois dias internado e voltou para casa outra vez. Desde então, está se recuperando normalmente. As dores diminuíram e não temos dúvidas de que muito em breve já estaremos vivendo normalmente, sem as angústias desses dias. Quanto ao sangue na cavidade operatória, o médico informou que ele será absorvido normalmente. Disse também que o organismo do Ricardo criou uma espécie de defesa natural contra as sequelas do cavernoma no tronco encefálico. Essa proteção é uma espécie de camada fibrosa entre o tronco. Isso impedirá futuras sequelas naquela região.
Ao concluir essa narrativa, queremos dizer que Ricardo sempre esteve bom e bem cuidado, porque esteve nas mãos daquele que garante a vida, a saúde, a força e o vigor.
Jesus perguntou em seu sermão do monte: Qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? Mateus 6:27.
É Deus que cuida de nós. Cuida de você, cuida de Ricardo e cuida de nós. De nossa parte, somos apenas instrumentos nas mãos de Deus. Nós cantamos pedindo que Ele nos use da maneira que agradar. Então devemos também deixar que Ele nos use de igual maneira.
E as visitas? Nunca recebemos tantas visitas. Vieram pessoas de todos os lados. Algumas nós conhecíamos, outras não. E por que nos visitavam, se nem sequem tinham convivência conosco? E a resposta é simples.
Deus move as pessoas. Foi Deus quem esteve nos visitando em casa e no hospital.
Há um texto na Bíblia que ilustra isso muito bem. O texto mostra qual é a filosofia que rege o Reino de Deus. O narrador diz que as pessoas perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? Ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? Ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Mateus 25:37-40.
Jesus, o Rei dos reis estava junto com cada pessoa que vinha nos visitar, com cada pessoa que ligava ou escrevia uma mensagem de conforto e de esperança nas redes sociais para nós. Quando líamos cada palavra, nós sentíamos a presença de Jesus, porque sentíamos a sinceridade, a preocupação e o empenho vivo de nos socorrer em nossa necessidade. E quando respondíamos, nós também o fazíamos de todo o coração, na certeza de que a resposta que dávamos era também uma palavra de agradecimento a Deus por seus cuidados por nós.
E assim encerramos, agradecidos a todos os que têm cuidado de nós, desde os familiares mais próximos, até os que foram nossos amigos, mesmo sem nos conhecer. Se for da vontade de Deus, um dia nós também seremos usados por Ele para velar e cuidar de cada um de vocês, com a mesma medida de amor com que vocês nos têm medido, acrescida de nossa gratidão. Muito obrigado a todos!
E para finalizar, nós queremos dizer a vocês que confiem sempre em Deus. Em qualquer situação, seja o que for e seja como for... Que seja sempre feita a vontade do Senhor!
Amém!


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Vovô, eu te amo muito!


Vovô, eu te amo muito!

Foi assim que o meu neto Davi, me cumprimentou nessa manhã! E me abraçou e me beijou. Como não emocionar! Como não sentir que esse será um dia de bênçãos muito mais do que especial!

A verdade é que todos os dias são portadores de bênçãos. Muitas e incontáveis bênçãos! Cada uma melhor do que a outra! Mas, agora, aproveite o ar! Respire fundo, porque hoje será um dia fantástico! Hoje faremos a colheita das últimas bênçãos deste ano. E quero te convidar para colher principalmente aquelas de janeiro, fevereiro, março... Aquelas dos meses passados, você não se lembra? Aquelas que não foram colhidas, aquelas que ficaram para trás e que não conseguimos trazer para casa, porque estávamos com os braços cheios e não tínhamos onde por. Então! Hoje é dia de colher e compartilhar as bênçãos poupadas, que nos foram dadas para serem dadas e que não tivemos a oportunidade de dar em tempo oportuno.

Quero testemunhar a respeito de uma prova difícil e das bênçãos que essa prova me tem proporcionado. Refere-se ao meu filho Ricardo. Quem já sabe de tudo o que aconteceu conosco, também pode testemunhar. Nossas vidas são transparentes. Que Deus possa ser glorificado por meio delas!

No início de 2010, meu filho foi diagnosticado como tendo um angioma cavernoso se desenvolvendo no topo de seu tronco encefálico, na região do mesencéfalo. Bem no centro da cabeça. Não é uma doença. O angioma é um órgão extra. Conforme o lugar em que ele se desenvolve, não há nenhum risco. Já viram algumas pessoas com um sexto dedo nas mãos? É parecido com essa situação. No caso de meu filho, o angioma surgiu em um lugar onde não há espaço físico para ele crescer. Mas, como todo órgão do corpo, ele também foi crescendo, mesmo com as dificuldades topográficas de sua localização. O neurocirurgião que cuida de Ricardo diz que ali é como se fosse a alma dele, porque aquela é a região de tudo o que liga o corpo ao cérebro. E qualquer lesão ali provoca sequelas na pessoa.

E então, depois de muitas lutas, Ricardo foi operado em 31/03/2010. Na ocasião, a equipe médica fez o seu melhor. Não pode retirar todo o angioma, para evitar sequelas, mas Ricardo ficou muito bom, com pouquíssimas sequelas. E durante esses quase seis anos, de lá para cá, ele teve uma vida normal, estudando, trabalhando, amando, participando das atividades da igreja e da vida.

Ricardo é um rapaz muito especial. É generoso. Para ele, tudo está bem. Quase não reclama de nada. Nem mesmo das dores que sente. É um moço que só contribui para que nós possamos ser uma família feliz.

Mas então ele chegou para nós e nos pediu para fazer novos exames, nova ressonância magnética para ver como ele estava, porque ele vinha sentindo fortes dores de cabeça e os analgésicos não estavam surtindo efeitos. Destaque-se: Ricardo é farmacêutico. Acreditamos que estava tomando os remédios que entendia ser adequados para tirar as dores que estava sentindo. 

E assim chegamos em Goiânia. Procuramos o mesmo médico que fez a cirurgia anterior. Ele é considerado um dos melhores profissionais da neurocirurgia do Brasil. Uma nova ressonância foi realizada, revelando as nossas preocupações: o angioma voltara a crescer. Ricardo precisaria ser operado novamente.

Ficamos sem palavras! Naquele momento, percebendo a nossa impotência diante do problema, o médico nos disse que não haveria pressa; que não precisávamos fazer a cirurgia imediatamente; que poderíamos esperar mais algum tempo, lá para janeiro ou fevereiro. Mas também nos disse que a cirurgia precisava ser feita, para evitar que o cavernoma, continuando a crescer, não viesse ser perfurado como fora em 2010 e provocasse novas lesões na região, que poderiam alterar as funções normais do corpo.

Então nós entendemos que não podíamos esperar. Não queríamos correr os riscos do agravamento da situação, sem a perspectiva de regressão. 

E então decidimos fazer a cirurgia. Pedimos um orçamento... No princípio a previsão era de 40 mil, mas ao fim, ficará em 60 mil reais. Não dispomos desse dinheiro. Mas não temos dúvidas que vamos conseguir levantá-lo. Cremos em Deus. Somos cristãos. Servimos àquele que é dono do ouro e da prata. Fazemos parte da família de Deus. Somos seus filhos e cremos que seremos socorridos em nossa necessidade. Se tudo der certo, Ricardo será operado dia 5 de janeiro de 2016, a partir das 8 horas da manhã. Será uma cirurgia longa. O médico disse que não fará mais nada nesse dia, dedicando-se integralmente à realização do procedimento. Por várias vezes, falou-me sobre a delicadeza dessa operação. Sabendo que somos pessoas que vivem pela fé, pediu-me que orássemos por Ricardo, mas que também orássemos por ele.

O pedido do médico me pareceu muito especial. Muitos médicos pensam que são deuses e que podem fazer milagres nas vidas de seus pacientes. Não compreendem que são apenas instrumentos nas mãos do Médico dos médicos. Graças a Deus, o médico do Ricardo sabe qual é o seu lugar nessa operação. Peço que sejam replicadas orações a Deus em seu favor.

Esse é o começo da nova história. No que tange ao financeiro, a situação não é muito diferente daquela de 2010, quando fomos socorridos.

Eu me lembro de tantas coisas que aconteceram naquela época. Lembro-me das diversas vezes em que as pessoas me estenderam as suas mãos para me entregarem os seus presentes, o seu amor, o seu carinho, a sua generosidade. Alguns mais, outros menos. Todos muito importantes e necessários.

Alguns podem pensar que eu não preciso de ajuda. Mas quero dizer, com toda a humildade, que estão errados. Eu preciso e muito do amor de cada um de vocês. E recebo o presente de cada um, com um coração agradecido, não importa o valor e o tamanho de sua graça em meu favor. O que mais conta é o gesto e atitude amorosa de cada um.

Nós julgamos que as pessoas com muito dinheiro sejam pessoas muito ricas. E pode ser assim, mas não é a quantidade de dinheiro que define a riqueza de alguém. Uma pessoa pode ter muito dinheiro e mesmo assim ser muito pobre. E pode ter pouco dinheiro e, em contrapartida, ser uma pessoa muito rica.

A riqueza de uma pessoa sempre será medida pelos seus gestos de amor para com os outros. As riquezas da terra vêm e vão. Os seus gestos de amor, de entrega e de doação são as riquezas eternas que formam, no céu, os seus verdadeiros tesouros, que não podem ser consumidos nem pela traça, nem pela ferrugem, nem por qualquer outro meio.

Jesus conta a história de um fazendeiro que teve uma grande colheita em determinado ano, de sorte que não tinha lugar para colocar os mantimentos. E então disse que destruiria todos os seus celeiros e construiria outros maiores. E aí diria à sua alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus. Lucas 12:19-21.

Já o apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, falou a respeito de um grupo de irmãos da Macedônia, considerados terrenamente pobres, usando as seguintes palavras:

Irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia; como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente. Pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus (2 Coríntios 8:1-5).

Tanto para a realização da cirurgia de 2010, como para essa nova cirurgia, tenho recebido doações de pessoas com mais e com menos riquezas. Alguns, com menos, que talvez até estejam precisando de ajuda para sobreviver, tem me pedido para aceitar a sua oferta de amor. E é claro que isso me emociona muito, porque eu sei que qualquer quantia que tais pessoas abrirem mão, lhes fará falta. Mas, com o coração muito grato eu tenho recebido todas essas doações, sejam grandes ou sejam pequenas, porque o amor de alguém por outrem, não é medido pelo valor da sua oferta, mas por tudo o que esteja envolvido em seu gesto.

De minha parte, Deus já me disse tantas vezes que todas aquelas bênçãos que Ele me dava e que excediam às minhas necessidades, não eram exatamente para que eu as colocasse em depósito, ou para que esbanjasse de uma ou outra forma. Aquelas eram as bênçãos que ele confiava em minhas mãos, para que eu as entregasse àqueles que tivessem necessidade delas. Ele já me disse, pelas suas ações que Ele é bom e generoso e que seu desejo é que cada um de seus filhos também seja bom e generoso, mas sem passar necessidades. E por isso, toda vez que ele nos abençoa, eu extrapola o que pedimos, para que possa sobrar das nossas necessidades, um tanto a mais, a fim de que possamos exercitar as nossas virtudes de amor, bondade, generosidade e fraternidade.

A medida de Deus é desmedida. E seu desejo é que o imitemos. 

Jesus disse: “Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo”. Lucas 6:38.

E o apóstolo Paulo acrescenta: Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados (Efésios 5:1).

Obrigado a todos os que têm orado por nós, pela operação de meu filho Ricardo e pelo médico que fará a cirurgia. Temos certeza de que tudo dará certo. Temos fé nisso. Entendemos que não pode ser diferente, porque é Deus quem estará no controle. Pensamos como Davi. Ele disse de Deus: O norte e o sul tu os criaste; Tabor e Hermom jubilam em teu nome. Tu tens um braço poderoso; forte é a tua mão, e alta está a tua destra. Salmos 89:12, 13.

No entanto, seja o que for e como for, em tudo seja feita a vontade de Deus, a quem louvamos e honramos para sempre. Amém.